De especialista em Garantia a plataforma de riscos: a nova fase da Fator Seguradora aos 18 anos
Criado em 05 maio 2026 • Fator Seguradora
De especialista em Garantia a plataforma de riscos: a nova fase da Fator Seguradora aos 18 anos
A Fator Seguradora chega à maioridade no próximo dia 26 de maio consolidando uma trajetória marcada pela especialização em grandes riscos — e iniciando uma nova fase. Aos 18 anos, a companhia entra em um ciclo de inflexão estratégica, com o objetivo de reduzir a dependência histórica do seguro garantia e avançar na diversificação de produtos, canais e receitas.
Ao longo dessas quase duas décadas, a Fator construiu sua relevância em nichos de maior complexidade técnica, com forte atuação em seguro garantia e grandes riscos corporativos. Esse posicionamento deu à companhia profundidade em subscrição e disciplina de risco, mas também trouxe concentração em poucos produtos e clientes — movimento que agora passa a ser revisto à medida que a seguradora busca ampliar sua presença em linhas mais pulverizadas.
Segundo o CEO Luís Eduardo Assis, a companhia estruturou, ao longo dos últimos anos, um plano para pulverizar riscos e ampliar sua atuação, movimento que já começa a se refletir na composição do faturamento — o seguro garantia, que por anos foi o principal produto, hoje responde por cerca de 20% da receita.
A mudança, afirma o executivo, não é trivial. “Diversificar significa reduzir a dependência de grandes apólices e grandes corretores, mas também aumentar a complexidade operacional”, afirma. Segundo ele, esse movimento marca a entrada da companhia em uma nova fase, mais compatível com o tamanho e a maturidade alcançados ao longo dos últimos 18 anos. A seguradora passou de uma estrutura enxuta, focada em grandes riscos, para uma operação com cerca de 150 funcionários e mais de 45 mil apólices emitidas por ano, exigindo investimentos em processos, tecnologia e gestão de cobrança — área que ganhou reforço diante de uma base que supera 100 mil boletos em circulação.
Nesse contexto, o canal digital ganhou papel central. A plataforma fatorconnect, voltada à integração com corretores, permite a emissão automatizada de apólices em diferentes linhas, incluindo Seguro Garantia Judicial e Tradicional, e produtos de responsabilidade civil, como RCP Profissional (E&O) e RC Geral. Com mais de 7 mil corretoras cadastradas, a ferramenta é parte da estratégia de ganho de escala em segmentos pulverizados e de menor tíquete, mas com potencial relevante de crescimento. “Ao automatizar processos e integrar funcionalidades comerciais, financeiras e de acompanhamento de riscos, a ferramenta sustenta a estratégia de diversificação da companhia e reposiciona sua atuação, aproximando-a de um modelo mais orientado a dados, eficiência operacional e ganho de escala em segmentos de menor tíquete”, afirma Assis.
A diversificação também passa por novas frentes técnicas. A companhia tem ampliado sua atuação em nichos como responsabilidade civil para médicos, um mercado ainda pouco explorado no Brasil, mas pressionado pelo aumento da judicialização da saúde. A empresa estruturou uma oferta com cobertura para mais de 90 especialidades médicas e vem investindo na capacitação de corretores para desenvolver esse mercado, apoiada no fatorconnect para dar escala à distribuição. Nesse modelo, o produto combina proteção patrimonial e cobertura de custos de defesa judicial em casos de falhas profissionais, ao mesmo tempo em que exige maior sofisticação na subscrição, com análise mais granular de risco. “É um segmento que exige evolução na subscrição. Não pode mais ser baseado apenas em percepção ou experiência. É preciso incorporar evidências e estamos avançando muito neste tema com o uso de inteligência artificial”, diz.
Essa mudança de abordagem, segundo ele, é um dos principais desafios do setor. A agenda climática aparece como vetor central dessa transformação. Eventos extremos, como as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, expuseram defasagens nos modelos tradicionais de avaliação de risco, com perdas significativas para a economia local. Das perdas econômicas estimadas em mais de R$ 100 bilhões, menos de R$ 6 bilhões contavam com cobertura de seguros, sendo boa parte desse valor relacionada a indenizações de seguro prestamista. “A subscrição no Brasil ainda é muito baseada em práticas de décadas atrás. Com as mudanças climáticas, isso deixa de ser suficiente”, afirma.
Para o executivo, a resposta passa por uma aproximação mais estruturada com centros de pesquisa no Brasil e no exterior. A expectativa é de aumento na frequência e intensidade de eventos como vendavais, o que exigirá revisão de premissas e maior sofisticação técnica. “O setor precisa ter humildade para aprender e incorporar ciência nos processos. O custo não é o principal obstáculo; o desafio é cultural. Quanto custa financiar teses de estudos de cientistas brasileiros? É muito pouco diante do ganho que ele pode agregar ao setor”, afirma. Há muitos estudos globais, mas, segundo ele, o Brasil precisa desenvolver sua própria base de dados, dada a especificidade de seus riscos.
Além das mudanças climáticas, o ambiente de negócios no Brasil adiciona pressão extra. O mercado de seguros corporativos vive um ciclo mais competitivo, com maior oferta de resseguro e entrada de novos players, especialmente no seguro garantia e em linhas financeiras como D&O. O resultado tem sido a redução de preços e um ambiente mais “soft”, que, na avaliação de Assis, tende a se ajustar ao longo do tempo conforme a sinistralidade evolua.
Ao mesmo tempo, o cenário macroeconômico impõe riscos adicionais. Juros elevados e aumento do endividamento das empresas têm elevado o número de recuperações judiciais, exigindo maior rigor na análise de crédito. Antecipando essa tendência, a Fator Seguradora desenvolveu um modelo próprio de rating para estimar a probabilidade de inadimplência, inspirado em práticas bancárias, como forma de aprimorar a gestão de risco em seguros de garantia e crédito.
Outro vetor de crescimento da seguradora está na área de infraestrutura. A companhia tem investido em capacidade técnica para analisar projetos de concessão, que diferem dos riscos tradicionais por não terem histórico financeiro consolidado. “É uma análise baseada em projeto, matriz de risco e estrutura contratual. Exige especialização”, afirma. O avanço das concessões é visto como estrutural, diante da limitação fiscal do Estado para financiar investimentos.
No campo regulatório, o executivo destaca um ambiente de mudanças intensas, que consome tempo e recursos das seguradoras. A reforma tributária, com impacto direto sobre operações e sistemas, e o novo marco legal de seguros exigem adaptações relevantes. “São transformações que afetam tecnologia, processos e modelos de negócio. Não são ajustes marginais”, afirma.
A transição para o novo modelo, que substituirá o IOF por tributos como IBS e CBS e enquadrará o setor no regime de serviços financeiros, exige das seguradoras não apenas avaliação de impacto de carga, ainda incerta, mas uma revisão profunda de sistemas, processos e modelos operacionais. Trata-se de um movimento que consome recursos e tempo das companhias e reforça a necessidade de investimento em tecnologia, em um contexto em que múltiplas mudanças regulatórias avançam simultaneamente e elevam o nível de exigência para atuação em linhas de grandes riscos.
Apesar do contexto desafiador, a companhia projeta continuidade do crescimento. Após registrar em 2025 o melhor desempenho de sua história, a expectativa é de um 2026 ainda mais robusto, sustentado pela expansão das novas linhas e pela maior diluição de riscos. Para Assis, o potencial do mercado brasileiro permanece elevado, mas depende de uma mudança mais ampla de mentalidade. “O setor ainda tem baixa penetração em diversas linhas, inclusive em riscos evidentes. Para crescer, será preciso evoluir em tecnologia, em subscrição e, principalmente, na forma de pensar o negócio”, afirma.
Aos 18 anos, a Fator chega a esse novo ciclo menos como uma seguradora em fase de consolidação e mais como uma companhia em transição — que busca transformar a experiência acumulada em grandes riscos em base para ganhar escala, diversificar receitas e reposicionar seu papel em um mercado em rápida transformação.
Fonte: https://www.sonhoseguro.com.br/2026/05/de-especialista-em-garantia-a-plataforma-de-riscos-a-nova-fase-da-fator-seguradora-aos-18-anos/